Qual é a relação da autoestima com o sucesso na vida afetiva?

0
490
Daiane Pacheco

Neste texto vou explicar a relação da autoestima com a satisfação na vida afetiva e como
é possível trabalhar no desenvolvimento de uma autoestima saudável.
Para tanto, é importante esclarecer o que é a autoestima e qual a relação desse conceito com o de autoimagem, ambos comumente confundidos:

A percepção que um indivíduo tem de si chama-se autoimagem, já o conjunto de valores positivos ou negativos atribuídos a essa autoimagem denomina-se autoestima, a qual também pode ser traduzida como a consciência de si, que irá caracterizar e nutrir o nível de auto aceitação, resultando no nível de amor próprio.

Dessa forma, é a autoimagem e não a autoestima que caracteriza o quanto alguém vai se achar bonito(a), inteligente ou habilidoso(a) em alguma área. A autoestima não depende dos aspectos da autoimagem em si, mas do julgamento de valor que se faz desses aspectos, caracterizando a soma deles, sua autoimagem, como digna ou não de ser aceita e estimada, sua autoestima. Isso quer dizer que uma pessoa pode ter uma autoestima elevada, isto é, gostar muito de si mesma, apesar de perceber inúmeros defeitos psicológicos, físicos ou morais em si.

Visto isso, pode-se dizer que a qualidade da autoestima de um indivíduo, ou seja, o
julgamento de valor da sua autoimagem, reverbera no julgamento que ele tem sobre o
quanto é merecedor de ser amado por si mesmo e pelos outros seres. É nesse ponto que
a autoestima passa a ser compreendida como intrinsecamente relacionada com a
qualidade e a dinâmica dos relacionamentos afetivos, pois ela atua como base
sustentadora para o quanto uma pessoa conseguirá se apropriar ou não do amor
direcionado a ela por outras pessoas.

Isto significa dizer que a qualidade da autoestima influencia drasticamente no tipo de
pessoas que o indivíduo tende a se atrair e vincular, mesmo que a nível inconsciente,
sendo estas pessoas uma espécie de reflexo do valor que ele dá a si. Por isso, é comum,
nos casos em que a autoestima de uma pessoa se encontra bastante debilitada, que o
sujeito tenha maior tendência para se vincular com pessoas que lhe desvalorizam,
criticam, abusam, maltratam ou não lhe dão importância, chegando a atrair-se para
relacionamentos tóxicos ou abusivos. Ao passo que para uma pessoa com a autoestima
positivamente fortalecida, será significativamente mais fácil valorizar quem também lhe
valoriza e não dar importância para aqueles que não lhe dão importância.

Diante disso, fica fácil compreender o papel crucial da autoestima como fator motivador
para que uma pessoa faça boas escolhas afetivas e, quando necessário, consiga romper
com relacionamentos que são destrutivos para ela. Portanto, uma autoestima saudável e
positiva é indispensável na vida de qualquer um, pois atua como um pilar estrutural da
relação consigo mesmo e com o mundo.

Mas como criar uma autoestima saudável e positiva?

Para responder a essa pergunta é importante lembrar que os fatores que constituem a
autoestima, que são a autoimagem e o julgamento de valor que se faz dela, são gerados
desde o início da vida, no útero materno, e continuam sendo modelados e reformulados
por toda a existência. Assim, é possível alterar não apenas a autoimagem em si (por
exemplo, aumentar ou perder peso), como os valores com a qual se julga essa
autoimagem.

Também vale ressaltar que a origem da construção da autoimagem e da autoestima se dá
a partir das percepções e interações com o meio. Por isso, a forma como uma pessoa se
estima tende a refletir a forma como ela foi estimada e amada por outras pessoas nos
primeiros anos de vida, período no qual é formada a personalidade.

Uma vez que, durante esse período, o indivíduo não tenha recebido recursos para
construir uma imagem favorável de si, a qual ele pudesse julgar merecedora de um nível
satisfatório de valor e estima, a tendência é que ele recorra a mecanismos de defesa
compensatórios, o que pode se dar em algum nível consciente, mas muito mais à nível inconsciente, sendo muito comum, nesses casos, a compensação através da busca pelo amor, valorização e aceitação de outras pessoas, a fim de suprir o vazio da falta de estima
e apreciação por si mesmo. Esse mecanismo pode ser facilmente mascarado e se desdobrar em diversas formas de ajustamento ao desejo dos outros, podendo lhe trazer até mesmo aptidões funcionais em função disso, como a capacidade de ser acolhedor, ajudar outras pessoas, se tornar exímio em alguma área, etc., porém sempre sentirá frustração e angústia quando não conseguir esse amor e aprovação dos que lhe rodeiam, o que eventualmente ocorrerá. Dessa dinâmica de compensação podem surgir inúmeros sofrimentos, incluindo os oriundos da carência afetiva e dependência emocional.

Além do mecanismo de compensação da busca pelo amor e aprovação dos outros,
existem outros mecanismos ainda mais mascarados, como a tendência de auto
destrutividade ou destrutividade do entorno, a busca compulsiva por prazer (sendo
comum, nesses casos, a tendência a algum vício e a fuga de si mesmo através de
neuroses ou psicoses). Esses mecanismos de compensação podem se apresentar desde
níveis mais graves até níveis bem sutis, nem sempre fáceis de serem percebidos.

É importante elucidar esses pontos porque, ao se falar de autoestima, não está se falando
apenas de um sentimento sobre si, mas também de uma dinâmica de relação consigo mesmo, ou seja, um padrão, um ciclo de causas e efeitos que se retroalimentam, hábitos mentais e comportamentais destrutivos em boa parte derivados dos próprios mecanismos de compensação mencionados. Assim, a intervenção para o resgate da autoestima visa detectar e romper com as posturas que alimentam esse ciclo negativo de funcionamento, substituindo gradativamente o mecanismo de compensação pela ressignificação acerca da autoimagem. Para tanto, é de extrema importância que a pessoa invista no autoconhecimento e procure um profissional capacitado para ajudá-la nessa jornada. Pois faz parte do resgate da autoestima o trabalho de apropriação da própria história, que a pessoa consiga identificar os seus pontos fortes, o que ainda precisa ser melhorado em si mesma, suas limitações, habilidades, o seu lugar no mundo, seus valores norteadores e o que ela deseja para si, para que possa se posicionar firmemente na vida e não fique insegura de quem ela é.

A partir dessa auto apropriação, muitos dos valores que a faziam criar distâncias consigo mesma, negando partes de si e procurando por compensações dessas partes fora de si mesma, vão sendo desconstruídos e substituídos pela aceitação da autoimagem, junto com distorções que são corrigidas. Conforme o sujeito vai se aproximando mais de si, se olhando, autoconhecendo, ela também vai conseguindo se aceitar mais e se amar, pois é impossível amar o que se desconhece, mas muito mais fácil amar o que nos é próprio e íntimo.

Além desse trabalho de autoconhecimento a auto apropriação, lembrando que a autoestima é uma dinâmica de relação consigo mesmo, é importante que a pessoa perceba quais hábitos que estão a serviço da manutenção de uma autoestima baixa e possa romper com eles a nível comportamental, o que irá favorecer muito o trabalho de resgate da alta estima, uma vez que se começa a romper com o que alimenta o ciclo destrutivo.

Exemplo de hábitos que precisam ser identificados e modificados: falta de cuidados com a saúde e o corpo, permanência em relacionamentos tóxicos, falta de disciplina com trabalhos e estudos, vícios em reclamação, auto anulação, má administração do tempo, etc.

Resumindo: a autoestima é a relação de amor consigo que determinará a qualidade das
relações com outras pessoas; quando não há amor próprio, nenhum amor externo é o
suficiente; para se amar, é preciso se autoconhecer; é comum que as pessoas se amem e
aceitem da forma como foram amadas e aceitas na infância;

a autoestima não caracteriza apenas um sentimento, mas uma dinâmica de relação consigo que consiste num ciclo que retroalimenta por hábitos mentais e comportamentais destrutivos; na falta de autoestima, criamos mecanismos de compensação que precisam ser identificador para serem rompidos e substituídos pela aceitação da auto imagem; a ajuda de um profissional capacitado para o trabalho de resgate da autoestima é muito importante; o resgate do amor próprio é um processo que sempre vale a pena!

Daiane Pacheco – Psicóloga Clínica / CRP 07-25933
Atendimentos Psicológicos On Line: www.daianepacheco.com

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here